Antes de enfrentar a Caçada Selvagem, Geralt reuniria seu grupo.
Os companheiros embarcariam em um drakkar de Skellige e seguiriam juntos por um mar congelado, rumo a uma batalha que poderia não terminar bem para todos. Durante o desenvolvimento de The Witcher 3, a CD Projekt RED imaginou um final bastante diferente daquele que conhecemos — e uma das principais inspirações era Mass Effect 2.
A influência não foi pequena.
Segundo Marcin Blacha, lead writer de The Witcher 3, o RPG da BioWare foi uma “grande inspiração” para a equipe. Tanto que uma versão inicial do encerramento seguia justamente a ideia que tornou o final de Mass Effect 2 tão memorável: reunir aliados e partir para uma missão suicida. PC Gamer

Antes de Eredin, seria preciso reunir o grupo
Quem jogou Mass Effect 2 provavelmente entende imediatamente a referência.
Ao longo do RPG da BioWare, Shepard reúne uma equipe para enfrentar os Collectors. No final, esses personagens participam da famosa Suicide Mission, uma sequência em que a preparação realizada pelo jogador e suas decisões durante a operação podem determinar quem retorna vivo.
The Witcher 3 chegou a caminhar nessa direção.
Blacha explicou que Geralt também reuniria um grupo antes de partir para sua missão final contra a Caçada Selvagem. A batalha aconteceria durante uma viagem por um mar congelado, a bordo de um drakkar de Skellige.
O objetivo continuava familiar.
Encontrar a Caçada.
E enfrentá-la.
Mas o caminho até Eredin seria diferente.
Um drakkar atravessando o mar congelado
É fácil imaginar a cena.
Geralt e seus companheiros navegando em direção ao desconhecido enquanto o gelo toma o mar ao redor do navio. Do outro lado estaria a Caçada Selvagem.
Segundo Blacha, o confronto aconteceria no próprio drakkar.
Algumas peças dessa ideia sobreviveram.
O jogo que chegou às nossas mãos também leva Geralt para um grande confronto em Skellige, com o mar congelado compondo o cenário e o Naglfar ocupando papel importante na batalha contra a Caçada Selvagem.
Só que a estrutura ao redor disso mudou.
A “missão suicida” desapareceu.
A CD Projekt RED queria um final mais pessoal
Em algum momento do desenvolvimento, a equipe decidiu seguir por outro caminho.
Blacha explicou que a ideia original foi redesenhada porque os desenvolvedores preferiram construir um encerramento mais pessoal.
E basta olhar para o jogo final para entender a diferença.
Embora The Witcher 3 reúna vários aliados durante sua reta final — especialmente na Batalha de Kaer Morhen —, o coração do encerramento não está em administrar um grande esquadrão antes de enfrentar Eredin.
Está em Geralt e Ciri.
Mais precisamente, na relação construída entre os dois.
São pequenas atitudes tomadas por Geralt ao longo da história que ajudam a determinar alguns dos principais desdobramentos envolvendo Ciri. O grande conflito continua acontecendo ao redor deles, mas o desfecho procura algo mais íntimo.
A guerra é enorme.
O centro dela é uma relação entre duas pessoas.
Mas parte da ideia de Mass Effect 2 talvez tenha sobrevivido
Existe uma semelhança interessante entre o conceito descartado e aquilo que eventualmente apareceu no jogo.
Antes da Batalha de Kaer Morhen, Geralt pode viajar pelo Continente procurando antigos amigos e aliados dispostos a ajudá-lo contra a Caçada Selvagem.
Keira Metz pode estar lá.
Hjalmar também.
Letho pode aparecer dependendo das decisões do jogador.
Outros personagens importantes se juntam à defesa da fortaleza enquanto Geralt e seus companheiros se preparam para algo que todos sabem que poderá terminar em morte.
Não é a Suicide Mission de Mass Effect 2.
E Blacha não afirmou que essa sequência nasceu diretamente daquela ideia descartada.
Mas é interessante perceber que o conceito de Geralt reunindo aliados para uma batalha desesperada contra a Caçada Selvagem ainda existe, de outra maneira, dentro do jogo final.
The Witcher 3 poderia ter terminado como um RPG bem diferente
A revelação fica ainda mais curiosa quando colocada ao lado de outras ideias abandonadas durante o desenvolvimento.
Como Blacha revelou na mesma conversa, Geralt também chegou a ser imaginado infiltrado na própria Caçada Selvagem, navegando no Naglfar e realizando missões enquanto fingia ser um dos cavaleiros de Eredin.
Era outro The Witcher 3 tomando forma.
Uma Caçada Selvagem mais presente.
Geralt infiltrado entre seus inimigos.
E, no final, um grupo reunido para atravessar um mar congelado em uma missão inspirada em um dos momentos mais famosos de Mass Effect 2.
Algumas dessas imagens permaneceram.
A estrutura, não.
Às vezes, uma inspiração precisa desaparecer para o jogo encontrar sua própria voz
É curioso imaginar o que teria acontecido caso a CD Projekt RED mantivesse aquela ideia.
Mass Effect 2 havia sido lançado apenas alguns anos antes e sua missão suicida rapidamente se tornou uma das sequências mais lembradas dos RPGs modernos. A própria admiração de Blacha pelo jogo mostra que sua influência sobre a equipe de The Witcher 3 era real.
Mas inspiração não precisa significar reprodução.
Durante o desenvolvimento, a CD Projekt RED pegou aquela estrutura, experimentou com ela e acabou seguindo em outra direção.
O drakkar ficou.
O mar congelado ficou.
A batalha contra a Caçada Selvagem ficou.
A missão suicida ficou para trás.
E no lugar de terminar tentando descobrir quem sobreviveria ao último confronto, The Witcher 3 preferiu fazer uma pergunta muito mais próxima de Geralt:
que tipo de pai ele havia sido para Ciri?
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