Algumas pessoas voltam para casa.
Outras voltam para o lugar onde ajudaram a construir um mundo.
Karolina Stachyra está de volta à CD Projekt RED quase uma década depois de deixar o estúdio. A roteirista começou a colaborar novamente com a empresa como consultora freelancer em fevereiro de 2026 e, desde agosto, aparece profissionalmente como Expert Writer. A CD Projekt confirmou seu retorno ao PC Gamer, mas ainda não revelou em qual projeto ela está trabalhando.
E esse último detalhe importa.
Com The Witcher 4, novos projetos da franquia, a sequência de Cyberpunk 2077 e outras produções acontecendo paralelamente dentro da empresa, seria precipitado dizer que Stachyra retornou especificamente para escrever a próxima aventura de Ciri.
Mas basta olhar para aquilo que ela deixou para trás na primeira passagem pela CD Projekt RED para entender por que sua volta chama tanta atenção.

Ela ajudou a escrever o Barão Sanguinário
Stachyra trabalhou na CD Projekt RED entre 2012 e 2016, participando de The Witcher 3: Wild Hunt e de suas expansões.
Entre seus trabalhos está justamente Family Matters, a longa sequência narrativa envolvendo Philip Strenger, o Barão Sanguinário, e sua família.
É difícil encontrar exemplo melhor daquilo que tornou a escrita de The Witcher 3 especial.
O Barão aparece inicialmente como mais uma peça na investigação de Geralt pelo paradeiro de Ciri. Existe uma troca bastante simples: ele possui informações, mas quer que o bruxo encontre sua esposa e sua filha.
Então começamos a investigar.
E tudo piora.
A busca lentamente revela alcoolismo, violência doméstica, ressentimento, abandono, culpa e uma família destruída muito antes da chegada de Geralt.
O homem que poderia facilmente ocupar o papel de vilão ganha camadas.
As vítimas também possuem suas próprias escolhas.
E o jogador acaba no meio de uma história em que compreender alguém não significa necessariamente perdoá-lo.
Esse equilíbrio entre personagens imperfeitos, informação incompleta e escolhas desconfortáveis ajudou a transformar o Barão Sanguinário em uma das histórias mais lembradas de The Witcher 3.
Stachyra estava no centro de sua construção.
Mas sua participação em The Witcher 3 foi muito maior
Reduzir sua passagem pela CD Projekt RED ao Barão seria diminuir bastante seu trabalho.
Stachyra participou da história principal, diálogos, cutscenes e construção de quests, além de trabalhar nas duas grandes expansões do jogo. Seus créditos incluem tanto Hearts of Stone quanto Blood and Wine. LinkedIn
Em 2016, pouco antes de deixar a empresa, ela própria falava sobre Blood and Wine como a despedida da equipe de The Witcher 3. A expansão levaria aproximadamente um ano para ser produzida e representava, naquele momento, o encerramento daquela fase da franquia.
Parecia um ponto final.
Dez anos depois, Stachyra está novamente na CD Projekt RED justamente quando The Witcher começa outro capítulo.
Ela também volta diferente
Existe outro lado interessante nesse retorno.
Karolina Stachyra não passou uma década parada esperando voltar.
Depois de deixar a CD Projekt RED, ela seguiu para a Techland, onde ocupou posições cada vez mais importantes na área narrativa. A própria empresa anunciou posteriormente sua promoção a Narrative Director, depois de anos atuando como Lead Narrative Designer.
Seu currículo também inclui trabalhos ligados a Dying Light 2 e consultoria de quest design em The Thaumaturge. MobyGames
Isso muda o significado da contratação.
A CD Projekt RED não está simplesmente recuperando uma roteirista de The Witcher 3.
Está recebendo de volta uma profissional que saiu depois de ajudar a construir aquele jogo, passou aproximadamente uma década trabalhando com outros projetos e estruturas narrativas e agora retorna carregando toda essa experiência.
Ela conhece o velho Continente.
Mas não é mais a mesma escritora que o deixou em 2016.
E existe um novo The Witcher sendo construído
É impossível ignorar o momento.
The Witcher 4 está em produção e possui uma janela planejada para 2028. A CD Projekt RED confirmou que Ciri será a nova protagonista, assumindo o bastão depois da última aventura de Geralt. CD PROJEKT RED
Isso coloca o estúdio diante de um desafio narrativo considerável.
É preciso construir uma nova protagonista jogável sem apagar aquilo que veio antes.
Criar novos personagens sem perder a identidade do universo.
E talvez, acima de tudo, encontrar novos dilemas capazes de provocar no jogador aquela mesma sensação que histórias como o Barão Sanguinário conseguiram produzir em 2015.
É justamente aqui que a experiência de Stachyra poderia ser particularmente valiosa.
Não sabemos se ela está trabalhando em The Witcher 4. A CD Projekt RED não confirmou seu projeto, portanto qualquer ligação direta entre os dois permanece especulação.
Mas sabemos que o estúdio está colocando enorme peso sobre sua próxima geração de histórias.
The Witcher agora é maior do que um único jogo
E The Witcher 4 é apenas uma parte disso.
A CD Projekt RED prepara uma sequência de grandes lançamentos para a franquia: The Witcher 3: Wild Hunt – Remastered chega em 2026, Songs of the Past em 2027 e The Witcher 4 está planejado para 2028. A empresa descreve esse período como uma nova etapa para o universo, sustentada por uma franquia que já ultrapassou 90 milhões de jogos vendidos. CD PROJEKT RED
Há ainda o remake do primeiro The Witcher, desenvolvido pela Fool’s Theory dentro dessa estratégia mais ampla.
Ao mesmo tempo, a CD Projekt RED trabalha na sequência de Cyberpunk 2077, enquanto mantém outros projetos em seu pipeline. Em setembro, a empresa informou que 519 desenvolvedores estavam alocados em The Witcher 4 e 184 em Cyberpunk 2.
É uma CD Projekt RED muito maior do que aquela que Stachyra deixou.
E com muito mais histórias para contar.
Veteranos podem ajudar a preservar aquilo que não aparece nos gráficos
Existe uma discussão interessante acontecendo dentro da própria CD Projekt RED.
O estúdio mudou de tecnologia, cresceu, abriu novas equipes e pretende desenvolver grandes jogos simultaneamente. The Witcher 4 está sendo construído na Unreal Engine 5, enquanto a empresa tenta transformar aquilo que antes era praticamente uma produção de cada vez em um pipeline capaz de sustentar múltiplos projetos.
Nesse cenário, veteranos carregam algo difícil de colocar em um documento de design.
Memória criativa.
Eles sabem como determinadas histórias foram construídas.
Sabem por que algumas ideias funcionaram e outras foram abandonadas.
Conhecem aquela combinação peculiar de tragédia, humor, ambiguidade e humanidade que fez uma simples investigação sobre uma família desaparecida se transformar na história do Barão Sanguinário.
Isso não significa repetir The Witcher 3.
Talvez signifique justamente saber o que não precisa ser repetido para preservar sua essência.
O retorno de Karolina Stachyra chega no momento certo
Ainda existe uma pergunta sem resposta.
O que exatamente Karolina Stachyra está escrevendo?
Pode ser The Witcher 4. Pode ser outro projeto da franquia. Pode ser algo completamente diferente dentro da CD Projekt RED.
Até que o estúdio confirme, qualquer resposta além disso seria especulação.
Mas sua importância não depende dessa resposta.
Uma das escritoras que ajudaram a transformar The Witcher 3 em algo maior do que uma aventura sobre matar monstros está novamente dentro de uma CD Projekt RED que pretende produzir mais jogos, com equipes maiores e histórias cada vez mais ambiciosas.
Dez anos atrás, Stachyra ajudou a escrever algumas delas.
Agora ela volta quando o estúdio precisa descobrir como escrever as próximas.
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