Após o sucesso de Cyberpunk: Edgerunners, a segunda temporada chega com a difícil missão de retornar a Night City sem simplesmente repetir a história de David Martinez e Lucy. Durante a Anime Expo 2026, após a exibição do primeiro episódio da nova temporada, a Crunchyroll conversou com o diretor Kai Ikarashi e o roteirista e showrunner Bartosz Sztybor sobre o que esperar da sequência.
E a primeira coisa que a produção quer deixar clara é: David está morto. A nova temporada, porém, pretende mostrar que Night City é muito maior do que a história de um único personagem.
Uma história inspirada pelo cinema dos anos 90
A nova temporada terá uma abordagem diferente, com uma narrativa que acompanha diversos personagens e suas histórias conectadas. Segundo Bartosz Sztybor, a inspiração veio de filmes dos anos 1990, especialmente obras como Pulp Fiction e O Profissional.
“Eu estava pensando nas histórias dos anos 90, especialmente nos meus filmes favoritos, como Pulp Fiction. Essa foi a minha proposta para a TRIGGER: que fosse como Pulp Fiction e O Profissional em Night City.”
A ideia de acompanhar diferentes personagens surgiu naturalmente durante o desenvolvimento da produção.
“De alguma forma, foi orgânico que, se fosse como Pulp Fiction, teríamos um elenco maior de personagens. Tínhamos alguns personagens, mas começamos a desenvolver a história com a TRIGGER. Alguns permaneceram, a TRIGGER adicionou outros e construímos a história a partir daí. O plano não era contar uma história sobre vários personagens. Isso evoluiu naturalmente a partir da inspiração.”
Sztybor também explica que queria criar uma espécie de rima temática entre as duas temporadas, mantendo elementos importantes do gênero noir e cyberpunk.
“Eu também queria, de alguma forma, fazer a segunda temporada rimar com a primeira. A ideia inicial, que considero importante para o gênero noir e cyberpunk, era mostrar causas e consequências, assim como em Pulp Fiction e nos filmes anteriores de Robert Altman. Muitas histórias com vários personagens mostram isso de uma maneira interessante: algo que uma pessoa faz terá consequências para outra.”
A inspiração dos animes dos anos 90
A influência dos anos 90 aparece diretamente no estilo visual da produção, agora sob o comando de Kai Ikarashi.
O diretor já havia se destacado na primeira temporada ao comandar o episódio 6, “Girl on Fire”, focado na queda de Maine. Para Sztybor, o trabalho realizado pelo diretor naquele capítulo foi determinante para que ele fosse escolhido para comandar a segunda temporada.
“O episódio 6 é o meu favorito da primeira temporada. Depois que o vi, já sabia que Ikarashi-san era um talento incrível. Para mim, os melhores episódios são aqueles que funcionam como histórias independentes. Nem estava no roteiro, mas ele transformou aquilo em um pequeno filme. Isso adicionou uma enorme profundidade ao Maine, que é meu personagem favorito da primeira temporada. Para nós, estava claro que Ikarashi-san era extremamente talentoso, e nosso sonho era tê-lo como diretor da segunda temporada.”
Ikarashi explica que seu objetivo foi incorporar a chamada “alma dos animes dos anos 90” em Edgerunners 2, algo que também aparece no design dos personagens.
“O mais importante foi focar no design dos personagens. Sou muito intencional com as linhas pretas das silhuetas, para que sejam proeminentes, e gosto de deixar linhas que parecem manchas de tinta. Também gosto de adicionar efeitos semelhantes a partículas nas luzes. Fui inspirado pelos quadrinhos americanos dos anos 90, como o trabalho de Bill Sienkiewicz em Daredevil.”
A luz como parte da narrativa
Uma das mudanças mais marcantes da nova temporada é que, ao contrário de muitas histórias cyberpunk e da própria primeira temporada, grande parte da ação acontece durante o dia.
A escolha foi proposital. No episódio exibido na Anime Expo, King passa por um episódio de ciberpsicose em plena luz do dia, enquanto Talia conhece Roman depois que a luz refletida pela câmera dele atinge seus olhos. D também passa parte do dia bebendo.
Para Ikarashi, a luz possui um significado próprio dentro da narrativa e pode representar algo diferente do que aparenta.
“A luz, ou os raios de luz, podem ser percebidos como algo bom ou positivo. Mas quero destacar que ela também pode ser enganosa. Brinquei bastante com a forma como utilizei as fontes de luz em Edgerunners 2. Gostaria que vocês prestassem atenção nisso.”
A decisão também ajuda a mostrar as injustiças de Night City de uma maneira diferente. Em vez de esconder seus problemas em becos escuros e ambientes noturnos, a nova temporada pretende expor suas contradições sob a luz do dia.
Roman e o amor pelo cinema
Entre os novos personagens, Roman possui uma relação especialmente forte com o conceito de verdade e com o próprio cinema. O jovem utiliza câmeras tradicionais de 35 mm em uma cidade que abandonou o cinema convencional em favor dos braindances.
Para Sztybor, o personagem representa uma conexão pessoal com o cinema e com a ideia de preservar a humanidade através da arte.
“Weak é muito o meu personagem, mas Roman é um personagem que conecta todos nós: eu, Ikarashi-san e [Masahiko] Otsuka-san. Ele também representa meu amor pessoal pelo cinema. Uma coisa é sobre a verdade, mas outra é sobre salvar a humanidade através do cinema antigo. É ser contra a nova tecnologia que tira as emoções ou, melhor dizendo, que tira a magia. Essa é a principal razão pela qual Roman cria.”
O showrunner também esclareceu uma comparação feita por alguns fãs após a divulgação do personagem.
“Nas redes sociais, muitas pessoas acham que Roman será como Nightcrawler, mas, para mim, ele é mais como Cinema Paradiso. Não é sobre escuridão, é sobre, de alguma forma, salvar a humanidade e a magia do cinema.”
Ikarashi complementa a visão sobre o personagem:
“Roman prioriza mais os sentimentos e os instintos, mesmo quando parece lógico. Ele é um personagem que coloca os sentimentos em primeiro lugar.”
Uma temporada parecida, mas completamente diferente
A nova temporada parece interessada em explorar diferentes formas de encontrar significado em Night City. Cada personagem possui sua própria busca pela verdade, seja através da realidade, da vingança, do cromo ou do cinema.
Sztybor resumiu a diferença entre as duas temporadas de uma maneira bastante direta durante o painel da Anime Expo:
“Se a primeira temporada foi um filme de Michael Bay, a segunda temporada é mais um filme de Martin Scorsese.”
Apesar das diferenças, o showrunner pede que os fãs estejam abertos à nova proposta.
“Eu gostaria que os fãs estivessem abertos. A segunda temporada é muito parecida, mas totalmente diferente. Depois da recepção aos trailers, aos conceitos dos personagens e até mesmo ao primeiro episódio na Anime Expo, vejo que eles estão abertos.”
E existe ainda uma grande dúvida para os fãs: Adam Smasher aparecerá na nova temporada?
Questionado pela Crunchyroll sobre a possível participação do personagem, Sztybor foi direto:
“Você terá que esperar para ver.”
Cyberpunk: Edgerunners 2 está previsto para chegar à Netflix durante a primavera brasileira de 2026.
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