Você toma uma decisão acreditando estar fazendo a coisa certa.
Algumas horas depois, as consequências aparecem.
E então vem aquela dúvida que quem jogou The Witcher 3 conhece muito bem: será que eu deveria ter escolhido diferente?
Songs of the Past quer trazer esse sentimento de volta.
A nova expansão de The Witcher 3: Wild Hunt continuará apostando em decisões difíceis, consequências e situações desconfortáveis, segundo Marcin Blacha, vice-presidente de narrativa da CD Projekt RED e um dos principais nomes por trás da história do RPG. Em entrevista recente ao PC Gamer, o desenvolvedor indicou que algumas escolhas poderão ser fortes o suficiente para fazer jogadores pensarem em voltar ao último save e tentar novamente.

Uma boa escolha não deveria ter uma resposta óbvia
Para Blacha, colocar duas opções na tela não é suficiente para criar um verdadeiro dilema.
Se uma delas representa claramente o caminho certo enquanto a outra parece obviamente errada, existe pouco espaço para reflexão. O jogador apenas identifica aquilo que considera moralmente correto e continua sua jornada.
The Witcher costuma buscar algo mais incômodo.
Blacha explicou que as decisões precisam levar o jogador a pensar sobre os personagens, as pessoas envolvidas e o problema colocado diante dele. Em vez de simplesmente procurar a opção “boa”, o jogador deveria ter motivos legítimos para hesitar.
Às vezes, escolher significa perder alguma coisa.
Em outras, significa descobrir tarde demais o preço daquilo que parecia certo.
Songs of the Past não pretende aliviar esses dilemas
Quando questionado especificamente sobre a nova expansão, Blacha deixou claro que a equipe não está evitando escolhas difíceis ou situações desconfortáveis.
Muito pelo contrário.
Segundo ele, Songs of the Past terá momentos capazes de fazer o jogador olhar para o resultado de uma decisão e pensar que talvez devesse ter seguido pelo outro caminho. Em alguns casos, a reação pode ser ainda mais imediata: recarregar o save e tentar mudar aquilo que aconteceu.
É uma promessa particularmente interessante para uma expansão que chega tantos anos depois.
Porque retornar a The Witcher 3 não significa apenas reencontrar Geralt.
Significa reencontrar também aquela dúvida antes de apertar um botão.
A missão perfeita faz você largar o controle
Blacha tem uma maneira bastante visual de explicar o que considera uma grande escolha.
Para ele, o dilema ideal deveria ser construído de forma que o jogador colocasse o controle de lado, levantasse e começasse a andar enquanto pensa no que fazer. Só depois voltaria para tomar sua decisão.
Parece exagero.
Até lembrarmos de algumas histórias de The Witcher 3.
Velen colocou Geralt repetidamente diante de pessoas cujas versões dos acontecimentos não encaixavam perfeitamente. Contratos que pareciam simples podiam terminar com a descoberta de que o monstro talvez não fosse a criatura que estávamos caçando.
E ajudar alguém nem sempre significava produzir um final feliz.
Essa incerteza tornou-se parte da identidade narrativa do jogo.
O arrependimento também faz parte da escolha
Existe uma diferença importante entre uma escolha difícil e uma escolha falsa.
Na segunda, o jogador apenas seleciona caminhos diferentes até chegar praticamente ao mesmo lugar. Na primeira, ele precisa conviver com a possibilidade de ter piorado uma situação que estava tentando resolver.
É aí que entra o arrependimento mencionado por Blacha.
Não necessariamente porque exista uma alternativa objetivamente melhor escondida no outro caminho, mas porque The Witcher costuma negar ao jogador a segurança de saber imediatamente se tomou a decisão correta.
Você decide com aquilo que sabe naquele momento.
As consequências chegam depois.
E quando chegam, o save anterior começa a parecer tentador.
Doze anos depois, The Witcher 3 quer voltar a nos fazer hesitar
Songs of the Past terá uma tarefa incomum.
A expansão chega em 2027, doze anos depois do lançamento original de The Witcher 3, para adicionar uma nova história a um RPG cujas escolhas já foram discutidas, revisitadas e dissecadas durante mais de uma década.
A CD Projekt RED poderia simplesmente apostar na nostalgia.
Geralt novamente na estrada. Novos monstros. Novos contratos. Algumas horas a mais pelo Continente.
Mas as declarações de Blacha apontam para algo mais próximo daquilo que ajudou The Witcher 3 a permanecer na memória de tantos jogadores.
Não apenas escolher.
Hesitar antes de escolher.
E, quando as consequências finalmente aparecerem, talvez olhar para o botão de carregar jogo e pensar:
“E se eu tivesse escolhido o outro caminho?”
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